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Como a Coreia do Sul virou desejo global

Foto do escritor: Teresa Severo
Teresa Severo
24 de ago.
2 min de leitura

Nos anos 90, "made in Korea" era sinônimo de produto barato. Hoje é sinônimo de desejo. Essa virada não aconteceu por acaso nem por sorte de mercado. Aconteceu porque, em 1994, o governo coreano criou um ministério dedicado exclusivamente à exportação de cultura, com foco em música, cinema, séries e gastronomia, sustentado por estratégia e investimento de longo prazo.


A lógica por trás dessa decisão é o que separa marca desejada de marca apenas vendida. Primeiro o mundo se apaixona pela cultura. Depois compra o produto. K-pop e doramas não vendem skincare diretamente, vendem um universo inteiro de estética, comportamento e aspiração. O produto entra como consequência natural desse universo, não como ponto de partida da comunicação.


O resultado desse modelo está nos números. A indústria criativa coreana movimenta mais de 12 bilhões de dólares por ano só em exportação, e arrasta junto setores que não têm relação direta com entretenimento: eletrônicos, cosméticos, alimentos e turismo crescem na esteira do desejo criado pela cultura.


A maioria das marcas faz exatamente o caminho inverso. Empurra o produto antes de construir qualquer universo que justifique esse desejo. Investe em anúncio de conversão antes de ter uma narrativa que faça o público querer fazer parte de alguma coisa. É a diferença entre pedir a venda e fazer o público pedir para comprar.


Construir esse universo para um negócio não é questão de orçamento grande nem de escala nacional. É questão de decisão estratégica: entender qual história a marca está contando antes de qualquer peça de comunicação, e sustentar essa história com consistência ao longo do tempo, do jeito que a Coreia do Sul fez com a própria cultura.


Vamos conversar sobre qual universo a sua marca precisa construir?

 
 
 

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